Urgência ou consulta?

Febre na criança: quando observar em casa e quando procurar atendimento

Como medir a temperatura da criança do jeito certo, o que ajuda de verdade e os sinais que pedem avaliação no mesmo dia.

Por Dra. Mariana Rossi · Pediatra · CRM-SP 163730 · RQE 1185112 min de leituraPublicado em 01 de novembro de 2026

Febre assusta qualquer mãe ou pai, mas na maioria das vezes é o corpo da criança fazendo o trabalho dele. Ela não é uma doença: é um sinal de que o sistema de defesa está reagindo, quase sempre a uma infecção.

O que é febre, afinal?

Febre é um aumento da temperatura do corpo provocado pelo próprio organismo. No termômetro de axila, a Sociedade Brasileira de Pediatria passou a usar 37,5 °C como referência em 2025.

Esse número serve para identificar a febre, e não para decidir sozinho se é hora de dar remédio. O que pesa mais é o estado geral da criança.

Como medir do jeito certo

  1. Use um termômetro digital (o de mercúrio não é mais indicado).
  2. Seque bem a axila e posicione a ponta de metal no meio dela, com o braço abaixado.
  3. Espere o sinal sonoro e anote o valor e o horário.

Medir com a mão na testa não é confiável. As anotações ajudam muito quem for te atender depois.

O que observar em casa

Repare em como a criança fica quando a temperatura baixa. Se volta a mamar ou comer, a beber líquidos, a brincar e a reagir normalmente, é um bom sinal.

Enquanto isso, ofereça líquidos (ou o peito) com frequência, deixe a criança com roupas leves e respeite o descanso.

E os remédios?

Antitérmicos aliviam o desconforto. Em criança, a dose depende do peso, então siga a orientação do pediatra e a bula, com a dose e o intervalo certos. Alternar remédios diferentes por conta própria não é recomendado: aumenta o risco de erro de dose sem trazer benefício comprovado.

Banho frio, álcool ou compressas geladas também não são indicados. Eles causam desconforto e não ajudam de verdade.

O que levar ao atendimento

Leve as anotações de temperatura e horários, os remédios usados (com as doses), a caderneta de vacinação e conte quando os sintomas começaram. Essas informações encurtam o caminho até a decisão certa.

Procure atendimento no mesmo dia se houver

  • Falta de ar ou respiração muito rápida
  • Sonolência excessiva, confusão ou dificuldade para acordar
  • Manchas roxas ou avermelhadas na pele que não somem ao pressionar
  • Rigidez na nuca ou dor de cabeça muito forte
  • Convulsão
  • Sinais de desidratação: boca seca, pouca urina, recusa de líquidos, prostração
  • Febre que dura mais de 3 dias
  • Bebê com menos de 3 meses com qualquer febre

Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Dra. Mariana Rossi Oliveira · Pediatra · CRM-SP 163730 · RQE 118511A Tia Mari: pediatra com Título de Especialista pela SBP, atua em pronto atendimento em Ribeirão Preto e escreve para explicar com calma o que ouve todos os dias.

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